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Maquinária Festival 2009 – Chácara do Jóquei (São Paulo/SP) – 07/11/2009

Postado em Shows com as tags , , , , , em 16 de novembro de 2009 por Letícia Melo

Assim que anunciaram dois grandes festivais de rock que aconteceriam EXATAMENTE no mesmo dia em Sampa, veio a dúvida cruel: em qual dos dois ir? Afinal, a distância e impossibilidade de teletransporte não possibilitariam a presença no Planeta Terra E no Maquinária Festival.

Que me desculpe Mr. Iggy Pop, mas eu cresci alimentada por “Epic”, “Falling To Pieces”, “Digging the Grave”, “From Out of Nowhere” e “Easy”, portanto, não poderia deixar de ir ao show do FNM.

Chegamos no meio do show do Sepultura e já notamos que a infraestrutura do festival era algo que não se via há muito tempo: tudo muito organizado, telões com imagens extremamente nítidas espalhados pelo local, bares com boas opções de alimentação e vários atendentes. Coisa rara de se ver mesmo, ainda mais em um festival que ainda está em sua segunda edição e que no ano passado teve ares mais “independentes” no Espaço das Américas com a presença de bandas como Misfits e Tristania.

Voltando aos shows, ainda não tinha visto o Sepultura sem o Igor na bateria, mas confesso que me surpreendi com o Jean Dolabella. O cara manda muito bem nas baquetas e não faz feio ao tocar as músicas antigas, entretanto, acho que minha cota de Sepultura já está mais do que saturada. Os respeito muito como banda, mas confesso que não tenho mais “pique” para assistir a um show deles ou ouvi-los em casa.

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Derrick Green e Andreas Kisser - Sepultura (Foto: Silvio Tanaka - Abril.com)

 Após o Sepultura, veio a primeira atração internacional: Deftones.

Não conhecia a banda, mas sabia que eles faziam um som mais HC/New Metal. O show deles foi cheio de energia e fiquei surpresa com a presença de palco do Chico Moreno, pois o cara canta todas as músicas totalmente em transe, fechando os olhos, realmente sentindo tudo aquilo que expressa e interagindo muito com o público. Muito melhor do que muitos caras por aí que sobem ao palco, cantam e vão embora como se estivessem fazendo nada mais do que sua obrigação.

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Chico Moreno - Deftones (Foto: Silvio Tanaka - Abril.com)

Porém, presença de palco e carisma foi algo que não faltou nessa noite de 7 de novembro.

Durante o show do Deftones, meus amigos e eu conseguimos nos infiltrar e ficamos, literalmente, grudados na grade que separava a pista normal da pista VIP. Ou seja, dali não saímos de jeito nenhum até o fim do show do FNM.

Depois de Deftones, chegaram os alucinados do Jane’s Addiction.

Pergunta 1: O que é Perry Farrell no palco? Como li em algumas resenhas por aí, o cara é uma mistura de Ney Matogrosso com Morrissey e, até mesmo, um pouco de androgenia “David-Bowieana-setentista”.

Em nenhum momento escondeu a satisfação de tocar no Brasil pela primeira vez e fez jus a isso: rodou, pulou, gritou, conversou com a galera todo o tempo, tomou vinho na garrafa, caiu e se levantou como se nada tivesse acontecido, simulou várias posições sexuais, enfim, tomou conta do palco. Ah, e ainda nos convidou para conhecer L.A. (se eu tiver estadia em sua casa, certamente vou – rs).

Pergunta 2: O que é Dave Navarro no palco? Sem dúvida, um dos sex symbols do Rock’n Roll arrancou muitos suspiros das meninotas no local. Entretanto, diferente de Farrell, ele estava lá totalmente técnico, com cara de “me tirem logo daqui” e ainda deu chilique com os fotógrafos (o que fez com que o show fosse simplesmente parado do nada, e, depois que retornaram, Navarro não foi mais filmado ou fotografado). Um puta guitarrista, mas mostrou uma antipatia sacal, muito diferente dos outros artistas que se apresentaram naquele dia.

Pergunta 3: Onde estava Eric Avery no palco? Definitivamente, o cara é um puta baixista e foi deixado lá, no cantinho do palco, como se nem existisse. Farrell, deixa o Navarro um pouco de lado e dê atenção ao Eric também. O cara é realmente bom!

Resumindo: show muito bom, com direito a japonesas seminuas e bateria da Nenê de Vila Matilde no final.

Pontos altos do show em “Been Caught Stealing” e “Stop!”, que levantaram o povo.

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Perry Farrell - Jane's Addiction (Foto: Silvio Tanaka - Abril.com)

Pontualmente às 21h20, quando todo o povo estava realmente pegando fogo, chega uma chuva pra lavar a alma da galera. Chuva “épica”, como alguns trocadilhos disseram, para anunciar a chegada da tão aguardada banda da noite.

Com uns 20 minutinhos totalmente toleráveis de atraso, sobe ao palco o FNM.

OBS.: Outro detalhe para a organização do Festival: todos os shows começaram sem atraso (exceto o do FNM devido a essa chuva).

Mr. Patton entra todo vestido de vermelho, em um terno clássico com direito a flor branca na lapela, portando guarda-chuva e bengala. Com isso, a banda começa com a canção “ReUnited”, cover de Peaches & Herb, que tem sido a música de abertura dos shows desta turnê (The Second Coming Tour). Confesso que neste momento fiquei com um sorriso idiota nos lábios me sentindo aquela menininha de 11 anos que via os clipes do FNM na MTV. E já com essa música dá pra “ver” e ouvir o potencial vocal de Patton (ainda todo arrumadinho antes de baixar o espírito maligno dos cantores de Rock – rs).

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Abertura do show do FNM (Foto: Silvio Tanaka - Abril.com)

Quando o espírito baixou, veio “From Out of Nowhere” e acabou com todo o “glamour”.  Neste exato momento percebemos que, mesmo quarentões, os caras do FNM deixam muita banda novata no chinelo. A bateria de Mike Bordin, o teclado de Roddy Bottum, a guitarra de Jon Hudson e o baixo de Bill Gould são os ingredientes que finalizam essa mistura e loucura musical.

Como disse o Paulo Fioratti em seu review no blog LineUp Brasil, “Aí os caras já tinham o público nas mãos. Se eles sentassem e ficassem dando tchauzinho durante duas horas, todo mundo sairia feliz.”  Tenho que concordar plenamente com essa afirmação.

E assim continuou com:

  • Be Agressive (do álbum “Angel Dust”)
  • Caffeine (também do “Angel Dust”)
  • Evidence (do álbum “King For a Day, Fool For a Lifetime” que foi cantada em português e dedicada ao Zé do Caixão)
  • Surprise! You’re Dead! (do álbum debut de Mike Patton na banda, o aclamado “The Real Thing”)
  • Last Cup of Sorrow (uma das minhas preferidas, – do álbum “Abum of the Year” - mas que, aparentemente, não foi tão ovacionada pelo povo)
  • Ricochet (um dos clipes que eu mais gosto dos caras, do álbum “King for a Day, Fool for a Lifetime”)
  • Easy (a famosa balada-cover do Commodores, que fez todo mundo querer dançar)
  • Midlife Crisis (do “Angel Dust”, com direito a “crise” de tosse de Patton ao final da música)
  • Caralho Voador (nesta, Patton fez uma brincadeira com a música “Ela é Carioca”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, e cantou “Ela é Pauli’xs’ta” – rs)
  • The Gentle Art of Making Enemies (outra que adoro, do álbum “King for a Day, Fool for a Lifetime”)
  • King For a Day (que também não teve a merecida euforia)
  • Ashes to Ashes (quando a autora deste humilde blog surtou consideravelmente)
  • Just a Man (com direito a loucuras de Patton: comeu o microfone, desceu no vão entre a galera e o palco, bateu nos seguranças e ainda deu um selinho em um dos fãs mais empolgados)

Neste momento, Patton se despede dizendo que aquela TALVEZ seria a última apresentação deles no Brasil. TALVEZ!

Eles voltam para o primeiro Encore com um “Olê, olê, olê, Palmeiras, Palmeiras” (lógico que a Palmeirense aqui ficou mais encantada ainda) e começam a tocar “Stripsearch” e “We Care a Lot”.

Para o segundo Encore, já nos momentos finais, eles apresentam mais um cover, agora de Burt Bacharach, chamada “This Guy’s in Love With You” e finalizam, como uma pancada no estômago, com “Digging The Grave” (o que, pra mim, foi uma troca justa ao invés de tocar a tão pedida “Falling To Pieces”).

Enfim, as palavras trocadas em português, o carisma, a loucura, a técnica vocal e mais uma porção de atributos que só Mike Patton pode mostrar, o tornam um dos melhores frontmans de todos os tempos.

Show que ficará no Top 5 com toda certeza.

Vejam abaixo 3 videozinhos do show em Sampa:

  • Este é da abertura do show, com Reunited, gravada em HQ:
  • Ashes to Ashes – Este foi gravado por mim (som razoavelmente bom, mas a imagem péssima - devido a distância do palco – e com direito a expressão eufórica de baixo calão no começo do vídeo – rs):
  • Final matador com Digging the Grave:

See ya!

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